Vamos aos fatos.
Os acadêmicos participantes apresentaram dificuldades para trabalhar em grupo. Alguns esperavam que seus líderes fossem mais efetivos e acabavam demitidos por omissão, por perceberem os erros e não se manifestarem, tirando de si a responsabilidade de uma possível derrota. Outros eram mais questionadores, mas colocavam a opinião do líder em xeque diante dos membros do grupo, provocando um efeito negativo de “racha” no próprio time, o que geralmente provocava a demissão do líder.
Os líderes apresentaram dificuldade em conduzir suas equipes quando não conseguiam promover uma reunião de trabalho eficaz na análise do briefing e planejamento para execução das tarefas. Também não tinham habilidade para atribuir responsabilidades específicas aos membros segundo a competência de cada um e acompanhar seus desempenhos e dificuldades para apoiá-los.
Alguns participantes demonstraram grande dificuldade em lidar com a ansiedade, com a limitação de recursos e de tempo para a conclusão de cada tarefa e deixavam de usar o planejamento centrado pra dar o próximo passo ou mudar o rumo do projeto em caso de insucesso no desenvolvimento.
Também ficou nítido que grande parte do grupo tem dificuldade em defender suas opiniões após as derrotas. Isso porque mesmo tendo perdido era necessário apresentar sua linha de raciocínio para justificar o que fez, demonstrando que nem sempre derrota é sinônimo de estratégia errada.
Em complemento a isso, destaco que alguns membros ainda têm dificuldade para se expressar em público, apresentar projetos, proferir palestras e realizar vendas, o que reforça o problema de argumentação e persuasão.
Mas uma das principais características que percebi foi o excesso de autoconfiança (ou teimosia) em cada tarefa. Quase nenhum membro, após definir uma estratégia, cogitou um plano B, não vislumbrava as possíveis adversidades que pudessem levar o grupo ao fracasso e quais seriam as providências a tomar nesses casos. Assim, mesmo percebendo que o caminho estava errado, permaneciam cegamente perseguindo o objetivo inicial traçado.
É verdade que o programa Aprendiz em si é uma situação atípica da vida, onde os participantes são perseguidos todo o tempo pelas câmeras e têm sua individualidade, espontaneidade e privacidade invadidas, o que provoca uma distorção no comportamento das pessoas. Mas por outro lado, melhor do que num processo seletivo, onde uma dinâmica de grupo busca projetar o comportamento real das pessoas, o programa oferecia um fator motivador altamente relevante (o prêmio por provas vencidas e um final de um milhão de reais + o emprego).
O fato é que os membros da geração y apresentaram grandes dificuldades ao trabalhar em grupo como líderes e como liderados, além de pouca iniciativa para solucionar problemas diante de adversidades e limitações.
São situações importantes que as empresas precisam avaliar em seus processos seletivos, que os coachings precisam desenvolver em seus clientes e que os candidatos precisam desenvolver pessoalmente.





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